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FÉCULA
OU AMIDO DE MANDIOCA?
Informações
técnicas básicas:
Para começar,
é apenas uma questão de denominação;
Fécula é o termo reservado para os carboidratos
oriundos dos tubérculos (mandioca, batata) e Amidos, são
os carboidratos oriundos das demais plantas (milho, sorgo,etc.).
A que se destacar, porém, que as nomenclaturas se confundem
e, no Brasil, costumeiramente chamamos “fécula de
mandioca” e usamos “amido de batata”.
O que importa
é que, a despeito da origem, são carboidratos, formados
basicamente por um sistema de biopolímero, compreendido
predominantemente de dois polissacarídeos - amilose e amilopectina.
Esses dois polissacarídeos são formados a partir
de estruturas do monômero “glucose”.
A produtividade da mandioca
Utilizando os
dados médios de produtividade da Conab, observa-se que
um mandiocal produz 14 toneladas por hectare, enquanto uma lavoura
de arroz produz 3,2 toneladas por hectare; de milho, 3,1 toneladas;
de soja, 2,5 toneladas; de trigo, 1,8 toneladas.
A mandioca comporta
cultivo consorciado com milho, amendoim ou feijão e de
cada maniva (segmento caulinar com um ou mais nós) fincado
no solo surge uma nova planta. A raiz tuberosa, normalmente branca
resplandecente quando decorticada, tem cerca de 40% de matéria
seca e uma formidável concentração de amido
(85% do peso seco). É todavia relativamente pobre em conteúdo
protéico (2,5%) e fibra (2,5%) mas vantajosamente quase
isenta de gordura (0,3%).
Os amidos podem
ser encontrados sob a forma pura (amidos ou féculas nativas)
ou transformada (amidos ou féculas modificadas). A primeira
refere-se aos amidos que não sofreram quaisquer modificações
industriais, físicas ou químicas, mas, apenas, um
processo de moagem das suas matérias-primas (batata, mandioca,
milho etc), ao contrário dos amidos ou féculas modificadas.
A fécula
de mandioca é um amido inerte, em relação
a sabor, não alterando as características do produto
onde é aplicada, ao contrário de outros amidos,
como o de milho. Outra característica importante, no momento,
é o fato que ainda não existe a mandioca geneticamente
modificada.
O amido modificado
é um componente mais nobre, cuja aplicação
se dá em produtos nos quais o amido nativo não garante
a qualidade exigida pelos fabricantes. Os amidos nativos apresentam
maior utilização na indústria alimentícia,
sendo empregados como espessantes e aglutinantes. Já os
amidos modificados apresentam inúmeras aplicações,
destacando-se as indústrias de tinta, têxtil, papeleira
etc. Os processos de produção das duas categorias
de amido são bastante distintos. O amido modificado exige
a utilização de equipamentos mais complexos, bem
como conhecimentos técnicos relativos à transformação
do amido nativo em modificado.
O critério
utilizado pelos consumidores (empresas) para a escolha do tipo
de amido (nativo ou modificado) a ser empregado depende, basicamente,
de sua adaptação aos processos de produção
das empresas, de sua qualidade, do grau de redução
de custos que ele trará e do seu preço.
Existe, tecnicamente,
a possibilidade de se substituir os amidos oriundos de diferentes
fontes de matérias-primas. Neste caso, os substitutos mais
viáveis para a fécula de mandioca seriam os amidos
de milho, batata e milho. Entretanto, essa substituição
não é amplamente verificada na prática.
Na indústria
de alimentos, por exemplo, não se conhece ao certo as alterações
organolépticas que tal substituição poderia
trazer ao produto final.
Já na indústria
têxtil, que utiliza somente os amidos oriundos de tubérculos
(mandioca e batata), a substituição da fonte de
amido é viável tecnicamente.
No entanto, a
utilização do amido de batata é pouco difundida
no Brasil, em virtude de sua oferta ser bastante reduzida.
Na indústria
papeleira, o substituto para a fécula de mandioca seria
o amido de milho.
Amido ou fécula,
o importante é que as formas de utilização
são muito variadas e as empresas, com a ajuda da natureza,
estão sempre desenvolvendo novas formas de se obter e processar
este ingrediente essencial na vida.
Ricardo A. Giannini,
Escola Politécnica da USP, com estudos de pós-graduação
em estratégias de Comercialização pela Universidade
de Chicago, EUA; Marketing Industrial pela Fundação
Getúlio Vargas, SP; Engenharia de Minas pela Universidade
de São Paulo (USP). Especialista em estratégias
de negócios com extensa carreira executiva, incluindo o
comando e projetos nas mais expressivas organizações
da era global.
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